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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Os momentos

Vou dizer-lhe que cessou o sentimento. Vou dizer-lhe que a doença anteriormente contraída se curou. Nada mais interessa entre nós, entre mim e ti, entre os nossos olhares, entre os nossos gestos repentinos, entre o espaço que distancia as nossas mãos, as nossas almas. Vou pedir ao coração as palavras certas, as reacções, a finalização num momento concreto. Vou pedir à razão a vontade de as exprimir fisica e plenamente. Quero ficar só num mundo onde sou só eu sozinha.
Vou, simplesmente, fechar o livro, cuja história não teve o fim desejado porque a tinta secou. Vou guardar na memória a caneta inútil que permitiu o início de tudo. Quero, sim, guardar também a capa desse livro num compartimento do meu coração perdido. Não, não te quero esquecer, livro meu, porque essa pequena história indeteriminada me fez feliz num determinado momento incerto algures na minha vida. Vou recordar o sopro do desejo que no meu coração ainda ficou e que tu criaste. Entre as linhas e as entre linhas restou um misto de descrições, entre estradas e cruzamentos sentimentais dispersos num mundo emocionalmente confuso. Vou impedir que as nossas vidas se cruzem porque não queremos ambos sofrer, porque o tempo é efémero, porque a vida é curta. Vou somente afastar-me, ainda, mais de ti... deixar que as amarras da vida decidam o nosso futuro.

domingo, 10 de outubro de 2010

As asas que nos abraçam e nos enganam

As asas do tempo envolveram-me... levando-me a pensar que se ficasse estática nada de mal me aconteceria naquele momento bélico. Todavia, com os seus movimentos audazes, com o auge do voo actual, com a sua eficácia ilusória, com os seus olhares perspicazes, com as suas armas potentes, com a batalha criada... enganaram-me fria e cruelmente. Rasgaram-me o coração. Esvaziaram-mo. Depois com todo o vendaval sentimental gerado, alguém suficientemente maldoso encheu o meu órgão mais vital perdido com duras e frias pedras. Tornaram-me naquilo que hoje sou. Deixei, simplesmente, de ser o que fui. Transformaram-me no estridente sentimento do mal, retirando-me o meu mortal romantismo, que em tempos, eu achara eterno. Achei por bem dizer um adeus simples e modesto. Deixei que as lágrimas que banhavam o meu corpo caíssem derradeiramente no chão. Escondi-me do mundo, aquele que eu anteriormente idolatrava como meu, mas que agora odiava com todas as forças naturais. Certamente voltarei, um dia, melhor que agora. Mais forte... mais sábia do que neste mundo acontece e se revela determinantemente assustador. Adeus, meu silêncio triste.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Os verbos [conjugados] que nos alegram

Vive. Bebe "os chás" que te dão a felicidade suficiente para viveres em paz com o teu mundo. Agarra, em pleno, com as tuas mãos o que o ambiente exterior te dá. Permite que o céu e os raios de sol te iluminem na totalidade, por dentro e por fora. Constrói o que quiseres, da forma como quiseres. Somente, de livre arbítrio. Aleatoriamente. Dança. Ao sabor do melhor aroma. Ao sabor do vento, criado pelo alucinante motor solar. Porque tudo o que um dia nasceu, também cai. Deixa que o destino, essa dimensão desconhecida e muda, te leve para onde ele quer. Faz de ti próprio um ser, ainda, mais único. Olha para a Natureza e silencia o que de melhor existe.

O teu [e]terno, Silêncio.

31 de Agosto de 2010, 18:11

domingo, 15 de agosto de 2010

Simbologia singular

Respiro. Divago solenemente. Penso. Páro. Levanto-me. 7:00. Passo após passo, traço o meu dia como se fosse o último. Reflicto sobre aquilo que mais gosto. Imagino. Percorro a gaveta dos meus sonhos, abro ao acaso uma das gavetas, entre muitas. Retiro um papel misterioso cuja simbologia singular me aquece o coração. Observo a caligrafia imaginada, os trilhos dispersos recolhidos pela letras ali colocadas, os objectivos patentes, a vida existente. Depois entre pensamentos, devaneios e loucuras simples, vislumbro a janela, o pomar transparente, o nevoeiro espesso e matinal de Inverno. Volto a sorrir. Fecho os olhos e toco o ambiente que me rodeia, as texturas, os significados, envolvo-me de emoção, de sensibilidade, de alegria repetina. Porque... porque a vida é instável e diversa... e são os sonhos que a comandam, afinal.
15 de Agosto de 2010
21:22

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A continuação do percurso

E depois de uma despedida há que continuar em frente, caminhar lentamente sobre o indefinido em busca do concreto. [Re]encontrar os anjos verdadeiros que nos mostrem o caminho real. Há que levantar o véu que foi deixado sobre o chão no percurso derradeiro, há que tocar nas pétalas e nos espinhos da vida, há que procurar exaustivamente o sonho. Esperam-se vivências, experiências, esperanças, alegrias. Um mar de emoções. Depois espera-se o reconforto de atingir a vitória nas diferentes etapas superadas ao longo do que se viveu e presenciou. Nada mais interessa. Viver de corpo e alma acima de tudo, ainda que em pensamento, em devaneio, em divagação. O resto é pura e simplesmente o silêncio vivenciado por nós em momentos de explícita loucura ou, somente, lucidez.
5 de Agosto de 2010