sexta-feira, 16 de abril de 2010

O não poder agir...

De quem mais nada tem ou pode ter.
As lágrimas começaram a correr pelo meu rosto, alagando por completo o meu coração cansado, enchendo-o de mágoa e de uma tristeza crescente. A pulsação acelerou-se. O medo preencheu o meu rosto apreensivo. O sangue caiu sobre o chão da eternidade e com ele a vida perdeu o rumo mortal. A dor acentuou-se perdidamente num corpo fragilizado. O frio entranhou-se.
Permaneci, assim, sentada, prostrada e profundamente revoltada com o que a vida me trouxe. Divaguei, inutilmente, no momento. Revivi um emanharamento de pensamentos e de emoções desprezíveis. Reclamei comigo mesma pelo que fiz e pelo que não farei num futuro já não inexorável à minha existência. Constatei que a distância entre mim e a solidão se estreitou definitivamente, permitindo a junção perfeita da tristeza negra e dos sentimentos escuros distantes da vida passada.
Até um dia.

sábado, 3 de abril de 2010

Fui transportada por um sentimento...

Um dia fui transportada, por um sentimento vestido de negro, para outro mundo sem que me apercebesse. Despida de mágoas, fui ao encontro de seres desconhecidos. Lívida, libertei toda e qualquer palavra interior que pudesse desejar expressar com o coração. Alegre espiritualmente, despedi-me da forma como quis e me foi possível. Desperta para a vida, encerrei o antigo testamento que me foi entregue. Livre, cedi, inutilmente, um pouco de mim a quem nunca me quis conhecer.
É acessível recordar esse mundo. Um mundo onde a verdade não existe, onde cada rosa é ausente, onde os espinhos são abundantes. Onde cada lágrima é falsa e composta por sentimentos obscuros e desleais. Onde cada estrada nos mostra o mesmo caminho. Onde cada pessoa é, pura e simplesmente, igual. Onde os anjos existem e se manifestam bruscamente.
Nunca esquecerei certos momentos em que a vivência patente em crenças esmoreceu. Foi triste ouvir e dizer um adeus frio em sentimento e, igualmente, desconfortante para o coração de quem o disse e o ouviu.
3 de Abril de 2010

sábado, 20 de março de 2010

O comboio da vida...

Um dia, enquanto esperava pelo comboio da vida, o meu pensamento encontrou as letras que construíram as palavras de que necessitava para definir o meu futuro. Foi, exactamente, na gaveta das minhas recordações que alcancei a inspiração necessária para as frases lentamente edificadas por mim. Recordo-me do esforço racional feito para anteceder a chegada das carruagens de decisões, com as quais partiria em busca de um destino indefinido.
Ainda, hoje, após algumas viagens nesse comboio incerto, carregado de ilusões e de algumas experiências positivas, anseio pelo caminho certo. Desejo a chegada da carruagem que me leve a um local seguro onde me possa proteger do perigo que envolve a vida. Passeio pelas lajes daquela estação, esperando pelo bilhete derradeiro. Divago no emaranhamento de indecisões que vagueia dentro do meu espírito.
Imagino e edifico raciocínios sobre o que será de mim daqui a uns anos, após milhas de viagens.

20 de Março de 2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Talvez...

Talvez. Talvez um dia retornes à tua verdadeira estrada. Talvez venhas a ter consciência de que a tua aldeia sentimental distante, simples e modesta, é o melhor lugar do mundo para conduzires a tua vida. Talvez constates os contrastes entre a profundidade do rio límpido da tua aldeia e a superficialidade sentimental que caracteria o motor propulsor da tua vida. Talvez penses que nada faz sentido, quanto à verdade, pois tudo dependerá da tua persistência sentimental e, respectiva, resistência racional.

17 de Março de 2010

sábado, 13 de março de 2010

A rosa do mundo perdido

Repentinamente, a rosa vermelha caiu sobre o mogno escuro do solo do meu pensamento. Regelou um qualquer gesto que pudesse dar naturalmente. Reprimiu qualquer palavra que viesse a ser soltada pelos meus lábios. Perdeu-se no vazio da minha alma. Portentosa, atraiu-me pela sua magnificente cor e ciência. Assustou-me corporalmente com os seus espinhos aguçados e ideais, provocando feridas interiores irremediáveis.
Tal acontecimento, passado no auge da minha vida, desempenhou o presságio mais inesperado de todo o meu caminho. Anunciado pelos ventos de leste do pensamento alheio, gerado por um Deus eternamente triste e desconhecido pela minha mente. Foi, assim, que a minha atmosfera humana aluiu, consequência da maldade daquele ser que vagueava só, absorvente do que de melhor havia no meu mar de sentimentos.
Porém, após desabar o meu mundo, esse ser, anteriormente, desprezível apresentava-se, agora, de espírito retraído, com capacidade para eliminar a maldade crescente nos Homens e implementar, no mundo, a paz dos inocentes.
13 de Março de 2010

sábado, 6 de março de 2010

Aquela última vela desvaneceu

Foi na sala da minha vida sentimental que aquela vela dourada, patente no castiçal de prata antigo, reflectiu momentos nocturnos cessados pela ânsia raiva do tempo. Aquela última vela desvaneceu, apagou-se repentinamente, a cera consumiu-se e com ela recolheram momentos cruciais.

Recordo-me da circunstância em que ela se apagou, do vazio existente naquela sala, da frieza envolvente. Ressaltam ainda lembranças da escuridão, após aquele momento determinante, salientam-se no meu interior os sentimentos cerrados e profundos que ainda hoje permanecem.

Porém, hoje é o dia de alterar tais pensamentos de mágoa, tais estilhaços tristes do meu ser. Hoje é dia de rasgar o azul do céu, de implementar pensamentos contentes, de viajar por locais, caminhos e estradas desconhecidas, de divagar num mar de contentamentos presentes à face deste Mundo.
Tudo porque, um dia, aquela vela dourada voltará a acender-se certamente, dando ao meu rosto triste uma nova faceta alegre, trazendo-me um brilho de novo no olhar.
6 de Março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

Alice... eu ordeno-te

Alice observa à tua volta... eu ordeno-te.
Redescobre o passado daqueles homens e mulheres cujas costas, hoje, se curvam. Questiona-lhes as histórias por eles vividas e desmistifica os seus profundos segredos antigos. Deixa que as tuas doces palavras amoleçam o pulsar cansado dos seus corações. Decifra cada cabelo branco com a tua generosidade natural. Permite que as suas mãos cansadas toquem na tua nobre tez e te aconselhem sabiamente o caminho a ser seguido por ti. Depois, recorda as suas rugas, associando-as aos obstáculos pelos quais eles passaram e pelos quais tu passarás.
1 de Março de 2010

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Imploro ao vento

Hoje quase todas as frases escritas na minha memória apagaram-se.
A força bruta do vento levou uma parte de mim, sem pedir autorização. Trouxe, novamente, aquele bloqueio constrangedor, motivado por razões minhas velhas conhecidas. Prendeu-se com toda a sua força e amarrou-se, a mim, para não mais sair. Hoje estou presa em pensamentos profundos, ontem meramente superficiais. Uma mágoa fria arranhou e quase rasgou o meu coração, vagueando, de momento, na minha atmosfera humana triste.
Imploro, agora, ao soprar do vento agreste que me faça esquecer o que sei, que apague o que na minha memória restou gravado, que os espectros regressem ao meu mundo... hoje perdido num emaranhado de sentimentos infelizes.
Talvez, amanhã, quem sabe, sentar-me-ei na relva macia, esquecerei todo e qualquer assunto que me relacione com aquela realidade, derramarei aquelas lágrimas que limpam os jovens espíritos inquietos.

27 de Fevereiro de 2010

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Quero...

Quero ser palavras não ditas, quero transformar-me em frases lidas no meu diário infantil, quero ser o que nunca fui e sempre desejei ser. Quero alcançar a liberdade, quero desprender-me das cordas que me rodeiam e me impedem de agir verdadeiramente, quero sentir-me leve, plenamente natural.

Quero deitar-me de corpo e alma sobre os sentimentos do mundo, quero vivê-los na sua globalidade, quero sentir repugnância pela maldade, quero enaltecer a sinceridade dos gestos voluntariamente dados, quero coabitar com que é eterno, quero esquecer todo e qualquer dado que me faça ser mortal.

Quero ser uma roda viva em pensamentos, quero tornar-me simples e, ao mesmo tempo, complexa em emoção. Quero ser melodias suaves, quero ser os passos alheios dados por outros, quero ser a casa antiga composta por pedra. Quero ser a pedra colocada no assunto que faz sofrer outros.

Quero restabelecer o meu passado, quero viver o presente, quero projectar-me inteiramente no futuro.

22 de Fevereiro de 2010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A estrela da amizade

Ao anoitecer despertou em mim a vontade impulsiva de contar um segredo às estrelas do céu.

Vou relatar-lhes o que sei sobre a rosa da amizade, aquela que é verdadeira e não magoa porque não tem espinhos. Vou usar o soprar sereno do vento, o mistério do passar do tempo, a magia eterna das palavras, o tamanho infinito do oceano, o sentimento e o pulsar eterno do meu coração.
Vou despertar o brilho às estrelas, recorrendo à verdade em letras pausadamente soletradas, a pétalas aromáticas da minha imagem contemplativa, reflectida naquele mar onde cada gota salgada é um pensamento doce.
Vou simular ser uma estrela que não permanece só, antes caminha sobre o vazio do céu, voa velozmente no alto da imaginação e dos sonhos do meu mundo infantil... perdidos na caixa das recordações guardada no fundo da cómoda antiga.
Vou esquecer o que será de mim sem o mundo real, preferindo projectar-me no infinito azul profundo do céu cerrado. Tudo para que, numa noite futura, possa ser o espectro capaz de ajudar um amigo indefinido.
20 de Fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sentimentalismo

Há dias em que apenas ouvimos o pulsar do nosso coração, em que os sentidos dominam o nosso agir, em que ninguém

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

O Mundo dos Sentimentos


Entretanto o tempo passa por mim, coloca uma expressão contemplativa no meu rosto, fazendo-me esquecer quem sou. Divago solitariamente perante o que serei num futuro próximo à minha vivência.
O tic-tac do relógio envolve a matéria humana que há em mim, irrequieta o meu estado espírito, enaltece a minha beleza interior, espanta todo e qualquer sentimento. Lá fora, sente-se a ausência de tempo suficiente para resolver o que parece ter uma solução impossível, ter um resultado desprezável. Entretanto, levanto a indeterminação, sigo em frente, liberto-me do passado, caminho perante o que vier, escuto o que me é dito. O resto é o vazio que não me pertence.
Hoje a solidão bateu ao meu portal de sentimentos e entrou sem pedir autorização. Reconfortou-se no meu manto de emoções, deliciou-se nas almofadas de penas do meu coração, voltou-se para admirar o meu lado mais oculto e adormeceu perante o silêncio da minha atmosfera humana.
17 de Fevereiro de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ao som do piano negro

Após a conjuntura nocturna, após a enorme pausa em silêncio, após momentos de reflexão em recordações passadas, após o período de amargura…caiu, repentinamente e de forma violenta, o manto de veludo vermelho sobre o harmonioso mármore branco.
As teclas do piano, abandonadas pelo passar do tempo, moveram-se delicadamente. Os longos e magros dedos de Alice decidiram finalmente tocar-lhes após o momento de tormenta. O seu quarto despertava lentamente ao som de melodias antigas, de composições repletas de emoção.
Enquanto deliciava o espírito tocando piano sentada no seu canapé, o seu pensamento navegava à deriva no seu mundo de espectros e de mutismos. Simbolicamente sentia-se reconfortada, pois o sublime som do piano, recorrendo ao movimento das teclas cor de pérola, alegrava-lhe o ânimo, bem como o espírito.
Seriam possivelmente as composições musicais, o ritmo melodioso, as partituras clássicas, guardadas no gavetão da cómoda do seu quarto, capazes de reanimar a atmosfera humana daquele palácio de sentimentos onde Alice vivia envolvida.

No momento actual, tal ambiente fazia Alice sentir-se absorvida pelas notas musicais que a tornavam forte, imune, resistente aos obstáculos propostos voluntariamente pelo tempo.
4 de Fevereiro de 2010

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Aquele meu silêncio

Silêncio... um profundo silêncio entranhara-se na minha alma, impedindo-me de expressar convenientemente o que naquele momento, verdadeiramente, sentia.
Naquele meu recanto encoberto, escondia-me no escuro cerrado onde ninguém me pudesse encontrar, escondia-me de todos os seres, escondia os meus mais intensos sentimentos, escondia a minha existência sensorial, escondia o que o coração me transmitia em segredo.
Em pensamentos, imaginava bosques longínquos onde pudesse viver um dia livre e plenamente, visualizava aquelas florestas penetrantes capazes de abranger este meu sofrimento de modo a cessá-lo definitivamente, recordava momentos outrora vividos por mim, divagava com o coração, segredava as minhas angústias ao vazio. Permitia que o meu espírito deambulasse nas lembranças quase esquecidas e consumidas pelo tempo. Desconhecia todo e qualquer dado que me permitisse desvendar o amanhã, apagava do meu espírito qualquer certeza quanto ao que serei no futuro. Tudo, simplesmente, porque sabia que o que começava teria certamente um desfecho, tão ou mais doloroso como o momento da criação da obra.
Deixava levar-me misticamente pelas palavras, uma vez que é recorrendo a elas que expressava sentimentos sem nada transparecer. Provavelmente, estas seriam o melhor abrigo para ocultar o que conjecturo.
3 de Fevereiro de 2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Miragem de recordações

Naquele exuberante local tudo era longínquo, distante, profundo...
Lembro-me de olhar pelos largos janelões e aperceber-me da singularidade daquele local. Recordo-me de como era envolvido por um extenso e penetrante bosque, onde abundavam flores de variadíssimas cores e espécies. Ali, naquele lugar, podia sentir o abandono do salão onde me encontrava, podia sentir um frio característico daquele espaço capaz de paralisar-me e regelar um qualquer movimento que pudesse dar naturalmente. Misterioso, taciturno, poderoso. Era assim que o meu espírito o caracterizava.
Todavia, o que me terá captado a atenção foi o amplo espelho existente no grandioso salão. Reflectia alguns dos momentos ali vividos por pessoas de outros tempos, com outras mentalidades, desiguais às actuais. Reflectia leves passagens de instantes vividos por outros seres. Rostos. Vidas passadas. Quantos nobres e famílias abastadas terão frequentado aquele nobre salão, ressequido pelo tempo? A madeira presente naquele chão estava, agora, gasta por tantos passos e momentos vividos.
Solidão. Avistei no tecto portentosos e valiosos candeeiros de cristal que permaneciam quase sós, numa sala onde escasseavam adornos. Pureza. Estranha sensação neste mundo, onde a ingenuidade há muito que desaparecera de forma inesperada. Perfídia. Era agora a falsidade que reinava no mundo real. Ostentação. Quantos quadros e retratos pintados a óleo presenciaram momentos consumidos pelo tempo. Beleza. Nas restantes divisões do palacete, os belos tectos constituídos por talha dourada podiam ser vistos na polida mármore presente no solo.

No momento derradeiro, resta resumir quanta terá sido a tristeza, quanto terá sido o tempo perdido, quanta será a saudade, quanta será a ilusão que ali ainda permanece. Certamente era um mundo diferente, era um mundo construído por recordações de outros tempos.
30 de Julho de 2008